Pedro Juan Caballero - 9 de junio de 2026
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Na mira da PF, militares se blindam e empurram responsabilidade no roteiro do golpe para o governo Bolsonaro

Publicado el 20/02/2024

Segundo oficiais ouvidos pelo blog, haveria ‘excessivo poder’ de influência atribuído a militares de baixa patente e sem contingente para mobilizar um golpe. Baseando-se nas investigações, a PF rechaça essa versão.


Bolsonaro e seu ento ajudante de ordens Mauro Cid em 2019 Foto: Adriano Machado/Reuters

Em meio ao avano das investigaes, militares tentam blindar e minimizar participao de colegas na confeco do roteiro do golpe e se dizem preocupados com as concluses s quais aPolcia Federalchegou em relao aos fardados na operao Tempus Veritatis, que apura uma tentativa de golpe pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

Segundo oficiais ouvidos peloblog,haveria excessivo poder de influncia atribudo a militares de baixa patente e sem contingente para mobilizar. o caso, por exemplo, do general Estevam Theophilo, comandante do Comando de Operaes Especiais Terrestres (Coter), que teria sinalizado adeso aos planos de Bolsonaro.

De acordo com oExrcito, o Coter fica em Goinia, no tem nenhuma tropa subordinada a ele e fica vinculado ao Comando Militar do Planalto, ou seja, no poderia tomar qualquer atitude sem a anuncia do comandante do Exrcito. Oficiais ouvidos pelo blog destacam ainda se tratar de um grupo de planejamento, sem capacidade de atuao, embora o general integrasse o Alto Comando da Fora.

Outra crtica feita em relao ao papel atribudo aos militares que trocaram mensagens com o ex-ajudante de ordensMauro Cid. o caso do coronel Srgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, o tenente-coronel Hlio Ferreira Lima, o coronel Bernardo Romo Correa Neto e outros. A alegao de que se trata de militares de baixa patente e cujos raios de influncia no ultrapassariam seus crculos de amizades pessoais. Eles aparecem perguntando Cid se j haviam encontrado indcios de fraudes nas urnas e municiando o ncleo golpista com informaes falsas.

A estratgia tratar esses militares como espcie de coadjuvantes do roteiro do golpe - o que a PF rechaa, baseada nas investigaes, alm de repetir que militares que comparecer a encontros com Bolsonaro atenderam a chamados do chefe do Executivo. Problema- eram chamados para discutir atos ilegais- o que, obviamente, no est previsto na Constituio.

Trs militares e ex-assessor de Bolsonaro so presos em operao sobre tentativa de golpe em 2022

Foras Especiais ou cho de fbrica?

H ainda a avaliao de que o papel atribudo s Foras Especiais exagerado. Embora tenham o nome de "Especiais", so consideradas de "cho de fbrica", ou seja, funo para militares ainda em incio de carreira e sem papel de comando.

Outros militares tidos como figuras centrais, como o ex-ministro do Gabinete de Segurana Institucional (GSI) Augusto Heleno e o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, j esto na reserva e tampouco teriam poder para mobilizar tropas da ativa.

Augusto Heleno  Foto: Jornal Nacional/Reproduo

Augusto Heleno Foto: Jornal Nacional/Reproduo

Desde a ecloso do 8 de janeiro, tanto o ministro da Defesa, Jos Mcio, quanto o comandante Toms Paiva vm destacando a necessidade de se avanar nas investigaes para individualizar as condutas e no deixar os episdios contaminarem as instituies.

Na percepo do Alto Comando, a individualizao vem deixando claro como o grupo golpista estava limitado a poucos indivduos nas Foras Armadas e no se espalhou pelo Exrcito. A forma como os fatos esto descritos pela PF, no entanto, levam a crer que os militares envolvidos faziam parte de uma elite capaz de subverter o regime democrtico, o que, na avaliao desses oficiais, no corresponde com a realidade.

g1.globo.com

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