Carlos Bernardo defende novo modelo de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul baseado na industrialização e agregação de valor
A proposta é transformar o Estado em um grande polo de processamento industrial, agregando valor ao que já é produzido no campo e criando empregos de maior qualificação
Enquanto Mato Grosso do Sul bate recordes na produção de soja, milho, carne e minério, boa parte dessa riqueza ainda deixa o Estado sem passar por qualquer processo de industrialização. Para o empresário e pré-candidato a deputado federal Carlos Bernardo, esse modelo precisa ser revisto para que a economia sul-mato-grossense avance para uma nova etapa de desenvolvimento.
A proposta é transformar o Estado em um grande polo de processamento industrial, agregando valor ao que já é produzido no campo e criando empregos de maior qualificação, além de ampliar a arrecadação dos municípios. "O Mato Grosso do Sul já provou que sabe produzir. Agora chegou o momento de transformar essa produção aqui dentro. Quando exportamos apenas matéria-prima, exportamos também empregos, tecnologia e oportunidades. Precisamos fazer com que essa riqueza permaneça no nosso Estado", afirma Carlos Bernardo.
Industrializar não significa substituir o agronegócio, mas fortalecer toda a cadeia produtiva. Não existe desenvolvimento econômico sustentável sem agregação de valor. Por isso, Carlos Bernardo defende que onde tenha produção de leite, que também tenha incentivos para a instalação de indústria de laticínios. Onde se produz carne, precisa ampliar o processamento. Onde exista minério e calcário, precisa estimular a transformação industrial.
Essa visão também é compartilhada pelo empresário do setor de transportes e logística Manoel Júnior, que acompanha diariamente a movimentação da produção sul-mato-grossense pelas rodovias. Segundo ele, o Estado produz muito, mas ainda captura pouco da riqueza que gera. "Nós transportamos soja, carne, minério, calcário... mas boa parte dessa produção vai embora para ser industrializada em outros estados ou até em outros países. Quem fica com os empregos, com a arrecadação e com o valor agregado é quem transforma esse produto. Mato Grosso do Sul já tem produção suficiente para dar esse próximo passo."
Para Manoel Júnior, fortalecer a indústria significa movimentar toda a economia. "Quando uma indústria se instala, ela não gera emprego apenas dentro da fábrica. Ela movimenta o transporte, oficinas, postos de combustível, hotéis, restaurantes, fornecedores e o comércio local. É uma cadeia inteira crescendo junto."
Outro ponto destacado durante a conversa foi o potencial da Rota Bioceânica, considerada por ambos uma das maiores oportunidades econômicas das próximas décadas.
Carlos Bernardo avalia que a nova ligação entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile precisa ser utilizada como ferramenta para atrair investimentos e não apenas para acelerar a exportação da produção. "A Rota Bioceânica não pode servir apenas para escoar nossa riqueza mais rápido. Ela precisa trazer centros logísticos, indústrias, armazenagem, turismo e novos negócios. Se ela servir apenas para levar nossa matéria-prima embora, estaremos repetindo um erro histórico."
Manoel Júnior concorda e ressalta que infraestrutura e desenvolvimento precisam caminhar juntos. "Não adianta construir corredores logísticos se não houver empresas produzindo ao longo dessas rotas. A logística precisa ser uma ferramenta para desenvolver Mato Grosso do Sul. Quando uma indústria chega, ela atrai dezenas de pequenas empresas ao redor. É assim que uma região cresce."
A cadeia do calcário foi utilizada como exemplo do potencial ainda pouco explorado pelo Estado. Carlos Bernardo defende que Mato Grosso do Sul aproveite suas reservas minerais para ampliar a produção de corretivos agrícolas e fertilizantes. "Nós temos riqueza mineral. Precisamos transformar esse potencial em indústria, pesquisa e tecnologia. Isso reduz custos para o produtor, gera empregos e fortalece nossa economia."
Outro desafio apontado por Carlos Bernardo está na área da inovação. Ele defende maior integração entre universidades, empresas e setor produtivo. "Pesquisa precisa sair do laboratório e resolver problemas reais da indústria, do agronegócio e da saúde. Quando universidade, iniciativa privada e poder público trabalham juntos, toda a sociedade ganha."
Para Manoel Júnior, preparar mão de obra qualificada será tão importante quanto atrair novos investimentos. "Podemos trazer empresas para Mato Grosso do Sul, mas precisamos formar profissionais para ocupar essas vagas. Desenvolvimento econômico também passa por educação técnica, inovação e qualificação."
Para ambos, o Estado reúne condições únicas para iniciar um novo ciclo de crescimento. A combinação entre produção agropecuária consolidada, riqueza mineral, localização estratégica e a chegada da Rota Bioceânica cria um ambiente favorável para um modelo de desenvolvimento baseado na industrialização e na agregação de valor.
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