Análise: Eleições moldam novo desenho e dimensões do mapa político de Ponta Porã
Um dia após o pleito em 04 de outubro próximo, Ponta Porã conhecerá o mapeamento político para 2028
Por Carlos Monfort
O pleito eleitoral de outubro será muito mais do que uma disputa para que Ponta Porã recupere sua representação política nos âmbitos estadual e federal.
O resultado das urnas deve consolidar, já a partir do dia seguinte à votação, um novo desenho e novas dimensões no mapa político do município, balizando as estratégias para a sucessão municipal daqui a dois anos.
No centro desse redesenho está o prefeito Eduardo Campos (PSDB). Como chefe do Executivo e principal articulador do grupo governista, Campos passa a conduzir um processo de reorganização interna, já com vistas à sua sucessão em 2028.
A saída estratégica de sua esposa, a primeira-dama e secretária de Governo Paula Consalter Campos, do atual processo eleitoral abriu um leque de possibilidades para o futuro, posicionando-a como forte liderança para o pleito vindouro, respaldada por sua atuação direta na gestão municipal.
Em que pese estar impedida pela lei eleitoral de disputar a eleição municipal, Paula conquistou liderança e respeito dentro do PSDB.
O prefeito será o timoneiro do processo sucessório municipal, cujo xadrez de montagem já teve início e está em curso, com seu término em outubro.

À DIREITA
Dentro do PSDB, principal partido da base, diversas lideranças começam a pavimentar seus caminhos.
O vereador e ex-presidente da Câmara, Agnaldo Pereira Lima, surge como um dos nomes lembrados nos bastidores. Em tese, a bancada tucana no Legislativo possui nomes com potencial para pleitear voos maiores, e o realinhamento partidário previsto para a janela de abril do ano eleitoral definirá o real tamanho e musculatura da sigla em nível municipal.
Fora do ninho tucano, mas orbitando na base aliada ao Paço Municipal, outras legendas relevantes de direita e centro-direita se movimentam estrategicamente:
· PL (Partido Liberal): Conta com os nomes de Pompílio Júnior e da vereadora Lourdes Monteiro, ambos cotados como prefeitáveis. A legenda segue alinhada às diretrizes do ex-governador e presidente regional da sigla, Reinaldo Azambuja.
· União Brasil: O empresário Carlos Bernardo ingressou na sigla como pré-candidato a deputado federal, alinhando-se diretamente ao grupo liderado pelo governador Eduardo Riedel e por Azambuja. O desempenho nas urnas — seja com a eleição ou com uma votação expressiva — deve consolidar seu nome como uma das principais lideranças regionais.
· Republicanos: Sigla que compõe a base de sustentação do governo estadual, tem como principal expoente local o atual presidente da Câmara, vereador Jelson Bernabé, que conta com o apoio do colega de bancada Leandro Bitencourt. Após três mandatos consecutivos no Legislativo, Bernabé tem pavimentado seu caminho com fidelidade partidária e foca em novos horizontes majoritários.
· PP (Progressistas): O partido do governador Eduardo Riedel tem como maior destaque o vice-prefeito Patrick Derzi. Carregando sobrenome de peso histórico na política sul-mato-grossense e possuindo trânsito livre nos setores político, social e comunitário, Derzi caminha com desenvoltura e ocupa posição estratégica neste novo mapeamento. Partido da senadora Tereza Cristina, a legenda ainda tem o experiente vereador Marcelino Nunes. Dono de sete mandatos parlamentares, Marcelino tem ´cancha´ de sobra para somar em qualquer projeto político.
À ESQUERDA
O silêncio estratégico em relação ao PT (Partido dos Trabalhadores) é, na verdade, uma das variáveis mais instigantes desse tabuleiro para 2026 e 2028 na fronteira.
Como o partido detém a máquina federal, a forma como a legenda vai se posicionar em Ponta Porã — seja lançando cabeça de chapa, construindo uma frente ampla de oposição ou costurando alianças programáticas de bastidores — ditará o nível de polarização local.
Se a direita e o centro se movimentam em um bloco robusto, o contraponto estratégico atende pelo nome de Partido do Trabalhadores (PT), que tem no vereador Edinho Quintana seu personagem principal.
Experiente e habilidoso no tabuleiro local, Quintana mostrou pragmatismo político ao retirar seu nome da disputa pela prefeitura em prol de um projeto maior, alinhando-se justamente a Carlos Bernardo.
Embora hoje Bernardo e Quintana estejam formalmente em trincheiras partidárias diferentes (União Brasil e PT, respectivamente), a histórica aliança política entre os dois permanece como uma forte variável de bastidor.
O papel do PT de Ponta Porã, impulsionado pela máquina federal, não pode ser subestimado: a depender dos desdobramentos e das costuras lideradas por Edinho Quintana, a legenda pode se consolidar como o fiel da balança ou a cabeça de uma frente ampla de oposição no futuro próximo.
Nomes sob reserva e o fantasma da rejeição
Outros personagens importantes aguardam os desdobramentos das urnas para entrar em cena de forma definitiva. É o caso de Daniel Kayatt, atual secretário municipal de Saúde.
Sobrinho do ex-prefeito, ex-deputado e atual Conselheiro presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), Flávio Kayatt, Daniel é considerado um nome bem-quisto em diversos segmentos da sociedade, possuindo bom trânsito e sendo lembrado frequentemente nas rodas de conversa política da fronteira.
Por outro lado, o arquiteto e ex-prefeito Hélio Peluffo Filho vive um dilema que ameaça seu projeto de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2026.
Com o histórico de superação de derrotas passadas, Peluffo enfrenta o desgaste da chamada "herança" financeira deixada nos cofres da prefeitura — uma dívida classificada por opositores como astronômica.
Com índices de rejeição que hoje rivalizam com sua aceitação, o ex-prefeito vê o cenário de 2026 como um teste de fogo. Analistas de bastidores atestam que, caso o projeto rumo ao Legislativo Estadual "entre água", sofrendo um revés nas urnas, Peluffo poderá tentar um movimento de retorno ao cenário municipal em 2028.
O dia seguinte à eleição trará avanços, recuos e reposicionamentos inevitáveis.
O mapa político de Ponta Porã está sendo redesenhado agora, e o destino das principais lideranças da fronteira dependerá de como essas forças vão colidir nas urnas.
O cenário pós-eleição promete acelerar as engrenagens políticas na fronteira, onde a capacidade de aglutinação e o desempenho de cada “peça política” ditarão as regras do jogo para o tabuleiro municipal.
O dia seguinte à eleição trará avanços, recuos e reposicionamentos. O novo mapa político de Ponta Porã está sendo desenhado agora, e ninguém quer ficar fora da foto principal.
Dependendo do desempenho da esquerda no Estado e em nível municipal nas eleições de outubro, o grupo do prefeito Eduardo Campos e seus aliados da direita (PL, PP, Republicanos e União Brasil) precisarão recalcular o tamanho do arco de alianças para evitar surpresas na sucessão municipal.
O dia 4 de outubro não será o fim, mas o marco zero de uma nova e intensa engrenagem política.
pontaporaemdia.com




