"Se é difícil missúo de paz, imagina guerra com Venezuela", diz Heleno
A VEJA, futuro ministro da Defesa diz que aÃ┬ºúo das ForÃ┬ºas Armadas no Rio "núo é nossa missúo principal, mas tampouco é secundária"
General Augusto Heleno, futuro ministro da Defesa: "vamos virar um narcopaís, um narcocontinente" - 09/05/2018 (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Futuro ministro da Defesa, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira rejeita a ideia de que será um Golbery do Couto e Silva do governo de Jair Bolsonaro. Diante da referência à eminência parda do regime militar, mais conhecido como “o bruxo”, e dos comentários de que comandará também a política externa brasileira, o general de Exército mostrou-se indignado.
“Está doida! Estou fora, ainda mais de ser o Golbery do governo. Pode tirar o meu nome disso”, afirmou em entrevista por telefone a VEJA.
Na conversa, o general Heleno indicou que não haverá comunhão do futuro governo com as intenções dos Estados Unidos de intervir militarmente na Venezuela, para derrubar o regime de Nicolás Maduro. Mas esquivou-se de responder sobre outras questões de política externa, como a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, confirmada por Bolsonaro, e os rumores de rompimento de relações do país com Cuba.
“É constitucional que o Brasil não aceita ingerência de países estrangeiros nos assuntos internos e também não fará ingerência nos assuntos internos de outros países. Então, é isso aí”, afirmou o general sobre os rumores em torno da Venezuela.
Cogitado para ser vice-presidente, o general Augusto Heleno passou a ser a escolha de Bolsonaro para o Ministério da Defesa depois que seu partido, o PRP, rejeitou a aliança com o candidato do PSL, em julho passado. Durante a campanha, ele coordenou o programa de governo de Bolsonaro.
Aos 70 anos, Heleno é respeitado nas Forças Armadas, em especial por seu trabalho como comandante da missão de paz da ONU no Haiti. Para a Defesa, indicou que reforçará o Sistema de Monitoramento das Fronteiras (Sisfron), especialmente como meio de impedir que o Brasil se torne um “narcopaís”.
O general reiterou seu polêmico conceito de que “direitos humanos são para humanos direitos” e insistiu que “pessoas normais não têm desvios de conduta”. Mas defendeu uma imediata mudança no sistema penitenciário brasileiro, para permitir que os condenados possam ser recuperados.
Também indicou que a missão de Garantia da Lei e da Ordem no Rio de Janeiroterá prosseguimento no governo de Jair Bolsonaro.
O presidente-eleito fez anúncios importantes na área externa, como a mudança da embaixada em Israel para Jerusalém, que tem causado polêmica logo neste início de período de transição. Não é muito antecipado? Cada área tem de ser tratada pelo seu responsável para evitar choque de opiniões, fica desagradável de ver responsável da área desdizer o que foi dito antes. Esta área de Política Externa não foi tratada com muito espaço nem clareza porque ainda não há um ministro das Relações Exteriores indicado. Os comentários são muito díspares. Não há unidade de pensamento. Agora, é muito complicado dar opinião porque poderá entrar em choque com a do futuro ministro. Estou evitando.
A imprensa tem aventado vários nomes para o Ministério de Relações Exteriores. O senhor terá participação na escolha? Eu não fui perguntado sobre isso. Jogam o verde para colher maduro. Não tenho a menor ideia. Tenho muito pouco contato com o presidente. Falo com ele cinco minutos. Estou longe (em Brasília), não tenho condições de estar no Rio de Janeiro. Não tenho nenhuma participação nisso aí. Zero.
Mas soube que o senhor seria o Golbery (general Golbery do Couto e Silva) do governo Bolsonaro. Está doida! Estou fora, ainda mais de ser o Golbery do governo. Pode tirar o meu nome disso.
O governo Bolsonaro vai cortar as relações diplomáticas com Cuba? Não tenho a menor noção. No início de um governo, depois de uma eleição com dois candidatos bastante diferentes em termos de ideologia, de programa de governo e até de parceiros, é natural isso acontecer. É natural também isso ser resolvido. Não vai ficar no ar. Na hora que houver um ministro das Relações Exteriores, ele vai conversar com o presidente e dizer qual a orientação. Estão chutando muito. Hoje mesmo chutaram de novo essa história de recriar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Todos os governos começam assim. A imprensa fica muito ansiosa até com o nome do faxineiro do Palácio do Planalto. Tem um governo agora em período de transição. É natural que se soltem umas iscas para pegar peixe grande, peixe pequeno.
O governo dos Estados Unidos estuda uma possível intervenção militar na Venezuela. Não vou entrar nesse assunto porque é do ministro das Relações Exteriores.
É também do ministro da Defesa, antigo ministro da Guerra. Isso se chegar na Defesa. Antes disso, tem uma série de considerações na área de Relações Exteriores. Se você for na Constituição… O presidente da República já disse que será um escravo da Constituição.
A Constituição diz que o Presidente da República pode declarar guerra (autorizado ou referendado pelo Congresso). Ele já disse que é escravo da Constituição. Para declarar guerra não é fácil assim, não. Se para uma missão de paz é complicado para caramba, imagina para declarar guerra. Isso aí é especulação. Também é constitucional que o Brasil não aceita ingerência de países estrangeiros nos assuntos internos e também não fará ingerência nos assuntos internos de outros países. Então, não tem de procurar mais nada. É isso aí.
“Eu, que sou Zé Mané, tenho uns 50 gênios da humanidade aqui no meu celular. São caras capazes de resolver os problemas da Previdência, acabar com a dívida pública, distribuir cesta básica para 300 milhões”
Há alguém assessorando o presidente-eleito na área internacional? Não sei. Eu não sou o assessor dele na área internacional. É o seguinte: a lista de assessor não nomeado de presidente da República recém-eleito, se quiser, tem três folhas de papel almaço. Eu, que sou Zé Mané, tenho pelo menos uns 50 gênios da humanidade aqui no meu celular. São caras capazes de resolver os problemas da Previdência, acabar com a dívida pública, distribuir cesta básica para 300 milhões. Tem cada coisa que você não sabe se ri ou se chora, cada currículo mirabolante que merecia o Prêmio Nobel. Nesta época, é normal. Eu recebo, por dia, cerca 700 mensagens no zap (WhatsApp), 110 a 120 telefonemas. Eu vivo como um zumbi. Saio do telefone para o zap, do zap para o telefone. Entregam documentos de salvação na Pátria na portaria. O que estou aprendendo…





