Pedro Juan Caballero - 29 de julio de 2026
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PF prende 9 suspeitos em operação contra facção que planejava matar Moro e outras autoridades

Publicado el 23/03/2023

O promotor de São Paulo Lincoln Gakiya também estava entre os alvos. O Jornal Nacional teve acesso a documentos de contabilidade da quadrilha que indicam onde as vítimas seriam mantidas em cativeiro.


Uma operao daPolcia Federaldesmontou nesta quarta-feira (22) umplano criminoso articulado ao longo de meses por uma quadrilha: autoridades e servidores pblicos eram os alvosde sequestros e de assassinatos. Entre essas pessoas estavam o senadorSergio Moro, doUnio Brasil, a famlia dele e um promotor de So Paulo.

Agentes da Polcia Federal precisaram derrubar uma parede para chegar ao esconderijousado pela quadrilha. O endereo emSo Jos dos Pinhais, na regio metropolitana deCuritiba, foi um dos 24 vistoriados nesta quarta pela Operao Sequaz.

Os investigadores cumpriram mandados de busca e apreenso tambm em Mato Grosso do Sul, So Paulo e Rondnia.A Polcia Federal tinha ordem da Justia para prender 11 suspeitos de participar de um plano para sequestrar e matar autoridades de Estado.

Essa uma investigao que j transcorre h vrios meses e que trouxe essa preocupao em razo do nvel de risco de ameaa de vrias autoridades pblicas. Mas o que ns temos a convico de que o momento da deflagrao mais oportuno foi esse e, portanto, a polcia agiu cumprindo a sua misso constitucional, cumprindo um papel de polcia de Estado, fazendo a operao que tinha que fazer nessa data, diz o diretor-geral da Polcia Federal, Andrei Rodrigues.

O promotorLincoln Gakiya, que h quase 20 anos investiga a faco criminosa paulista, era um dos alvosdos bandidos. Ele tambm descobriu que aquadrilha pretendia atacar o senador Sergio Moro, a mulher dele, a deputada Rosngela Moro, ambos do Unio Brasil, e os filhos do casal.Na lista de alvos da quadrilha estavam outras autoridades e funcionrios da segurana pblica no pas.

Os promotores identificaram que aquadrilha comeou a monitorar o senador Sergio Moro e a famlia dele no dia 27 de janeiro. Trs dias depois, o procurador-geral de Justia de So Paulo, Mrio Sarrubbo, e o promotor Lincoln Gakiya foram aBrasliae se reuniram com Moro, com a deputada Rosngela Moro e com as polcias da Cmara e doSenado.

Promotores identificaram que quadrilha comeou a monitorar Moro e a famlia no dia 27 de janeiro  Foto: JN

Promotores identificaram que quadrilha comeou a monitorar Moro e a famlia no dia 27 de janeiro Foto: JN

A cpula da Polcia Federal foi informada de tudo e determinou a abertura de uma investigao sigilosa.

Ns compartilhamos com a Polcia Federal todas as informaes de inteligncia que tnhamos aqui e auxiliamos a Polcia Federal nesse perodo de investigaes. Ns agimos de maneira coordenada e integrada com a Polcia Federal e o resultado est a, explica Lincoln Gakiya.

Por precauo,Sergio Moro, a mulher e os filhos receberam reforo na segurana pessoal.

Nos ltimos dois meses, equipes da Polcia Federal no Paran e promotores de Justia de So Paulo trabalharam juntos para aprofundar as investigaes.Eles descobriram que integrantes da faco acompanhavam de perto toda a rotina da famlia Moro.

Eu posso dizer que o plano havia vrios meses que j estava em andamento. J tinha imveis, chcaras alugadas para um possvel cativeiro. Casas, apartamentos alugados, veculos blindados j haviam sido levados para Curitiba, por exemplo. Armamento, muito dinheiro foi empregado nessa operao. Ento era algo, no caso do senador Moro, do ex-ministro Moro, que j estava bastante adiantado. No era algo que estava ainda em fase de planejamento. J estava em fase de execuo, ressalta Gakiya.

A investigao mostra que a quadrilha tinha o objetivo de se vingar de Moro e Gakiya. Opromotor foi o responsvel pelo pedido de transferncia dos chefes da quadrilhade penitencirias do interior de So Paulo para presdios federais de segurana mxima. A remoo foi em fevereiro de 2019.

Na mesma poca, Moro era ministro da Justia do governo Bolsonaro e publicou umaportaria que, entre outras medidas, proibia os detentos de receberem visitas ntimasnas prises federais.

Os nove presos nesta quarta-feiravo ficar na Superintendncia da Polcia Federal em So Paulo at que a Justia decida o destino deles.As investigaes para identificar outros envolvidos no plano para atacar autoridades continuam.

Esses planos no param. Ento, todos os dias, a gente est combatendo e a gente tem que lidar com esse tipo de retaliao, afirma Gakiya.

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JN teve acesso a documento com contabilidade de quadrilha para plano contra Moro  Foto: JN

Cativeiro estava definido

OJornal Nacionalteve acesso a documentos de contabilidade da quadrilha que indicam onde as vtimas seriam mantidas em cativeiro.

Em uma mensagem, os bandidos fazem uma espcie de contabilidade do que estava sendo gasto para executar o plano, comoR$ 12 mil em viagens e R$ 50 mil com aluguis e manuteno. Os valores somam mais de meio milho de reais.

Fotos mostram a entrada de umachcara alugada pelos bandidos, que, segundo a investigao, serviria de esconderijo e de um eventual cativeiro.

Os investigadores tambm conseguiram imagens do arsenal que seria usado no plano de ataque s autoridades. So fuzis e pistolas. Em uma anotao, aparece uma lista com a quantidade de munio guardada pelos bandidos. A coluna da esquerda mostra o calibre das armas e, a da direita, o nmero de projteis: 903 no total.

Ministro da Justia, Flvio Dino  Foto: JN

Ministro da Justia, Flvio Dino Foto: JN

Dino: operao no tem relao com a poltica nacional

Logo cedo, em uma rede social, o ministro da Justia,Flvio Dino, cumprimentou as equipes da Polcia Federal pela operao.

Depois, em entrevista, ele ressaltou que a PF cumpriu seu dever legal e que a operao no tem nenhuma relao com a poltica nacional. O senador Sergio Moro, do Unio Brasil, opositor poltico do presidenteLula. Oministro da Justia reagiu a insinuaes da oposio de que a atuao da faco criminosa tivesse algum componente poltico.

vil, leviana, descabida qualquer vinculao a esses eventos com a poltica brasileira. Eu fico realmente espantado com o nvel de mau-caratismo de quem tenta politizar uma investigao sria. Investigao essa que to sria que foi feita em defesa da vida e da integridade de um senador de oposio ao nosso governo, afirmou Dino.

A TV Globo apurou que a ao da PF j estava programada desde o ltimo dia 16 para ser executada nesta quarta-feira (22).

Em Florianpolis, o diretor-geral da Polcia Federal, Andrei Rodrigues, repercutiu a operao eafirmou que a polcia vai sempre cumprir seu papel constitucional.

A Polcia Federal no pode descuidar da sua condio de polcia de Estado. No investigamos pessoas, mas fatos criminosos. O inqurito policial instrumento da apurao da verdade real. No trabalha para acusao ou para defesa, mas sim para a sociedade e para a Justia. Alis, hoje realizamos uma operao importante em razo de ameaas graves - gravssimas, eu diria - de vrias autoridades pblicas, seguindo exatamente isso: sem olhar para qual partido, para qual ideologia, para qual governo, para qual situao. Essas pessoas esto simplesmente cumprindo o nosso dever constitucional e legal, disse.

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Sergio Moro em entrevista ao Estdio i Foto: JN

Moro defende combate constante

Em Braslia, em entrevista ao programaEstdio i, daGloboNews, o senadorMoro defendeu que o combate a criminosos deve ser constante, independentemente de ideologias e governos. Ele fez uma relao entre a operao desta quarta e osataques que aterrorizam o Rio Grande do Norte h nove dias.

Claro que isso foi assustador para mim, para minha famlia. um preo infelizmente alto a se pagar pelo combate que a gente fez ao crime organizado. No s como juiz, mas tambm como ministro da Justia. Espero que esse evento no Rio Grande do Norte e esse evento de hoje que foi desmantelado, sejam eventos isolados e no revelem, no sejam reveladores de uma tendncia do crime organizado querer novamente colocar-se para fora para intimidar a sociedade. Em um e outro caso, o combate s organizaes criminosas tem que ser perene. E ns no podemos deixar que a politizao ou a polarizao comprometa essa batalha. O Brasil no pode ser vencido pelo crime. Essa que tem que ser a grande lio, afirmou Moro.

O presidente do Senado,Rodrigo Pacheco, doPSD, disse que, desde o incio do ano,quando soube do risco integridade de Moro, j vinha tratando do reforo na seguranana equipe dele e da esposa, a deputada federal Rosngela Moro, tambm do Unio Brasil. Pacheco elogiou a atuao das foras de segurana na operao desta quarta.

Eu quero cumprimentar as foras de segurana do Brasil, todas que estiveram envolvidas nessa operao; o prprio ministro da Justia, Flvio Dino. A minha solidariedade ao ex-juiz e senador Sergio Moro pelo que ele tem passado e todo o nosso empenho da presidncia do Senado para garantir a segurana de todos os senadores, inclusive do senador Sergio Moro, disse Pacheco.

tarde, Sergio Moro subiu tribuna do Senado para falar sobre a operaoe apresentou umprojeto de lei que busca criminalizar a conspirao e ordens de ataques a agentes pblicoscom o objetivo de atrapalhar investigaes contra faces criminosas.

g1.globo.com

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