Pedro Juan Caballero - 31 de julio de 2026
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Há 10 anos, entidade alerta sobre "promessas milagrosas" que levam à morte

Publicado el 18/09/2020

Para a Sociedade de Cirurgia, a falta de esclarecimento ou atraÃ┬ºúo pelo baixo preÃ┬ºo é o que leva brasileiros a cruzarem fronteira


Sheyza morreu aos 21 anos, depois de passar por procedimento de aplicao de hidrogel em clnica clandestina no Paraguai. (Foto: Reproduo/Facebook)

H pelo menos uma dcada a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plstica Regional Mato Grosso do Sul v como trgica a situao da fronteira, onde profissionais no habilitados oferecem promessa milagrosa a baixo custo e acabam levando pacientes a bitos. O ltimo caso, da estudante Sheyza Ayala, de 21 anos, reacende o alerta e a necessidade de buscar um cirurgio plstico para procedimentos.

Sheyza morreu no incio desta semana, no Hospital Regional de Ponta Por, depois de passar por aplicao de hidrogel pela massoterapeuta paraguaia Danilda Victoria Ruiz Daz Suarez, de 43 anos, em uma clnica clandestina, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A jovem chegou a ser socorrida do lado de l da fronteira, mas com a gravidade do caso foi transferida para Ponta Por.

Csar Benevides tesoureiro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plstica Regional Mato Grosso do Sul.

Tesoureiro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plstica Regional MS, o mdico cirurgio plstico, Csar Anibal Aguiar Benavides fala que o problema no de agora. "J estive como presidente da Sociedade duas vezes e devo dizer a voc que este um tipo de situao que enfrentamos h pelo menos 10 anos".

Para a Sociedade, a falta de esclarecimento por parte dos pacientes ou atrao pelo baixo preo o que leva brasileiros a cruzarem a fronteira. "Pacientes saem daqui para Bolvia ou no Paraguai para se submeterem a procedimentos estticos, o que chama a ateno so as promessas de resultado, as armadilhas que vm pela internet, prometendo muitas vezes algo que uma imagem trabalhada", destaca o mdico.

A maioria dos casos, segundo a Sociedade, envolvem profissionais no cirurgies plsticos, sem treinamento que fazem procedimentos em locais sem a mnima segurana. Na situao especfica de Sheyza, o procedimento foi aplicao de hidrogel. " um nome que se elaborou para diminuir e atenuar os efeitos negativos que essa substncia, o polimetilmetacrilato, tambm conhecido como PMMA, tem causado nos ltimos anos", ressalta Benavides. "Profissionais inescrupulosos utilizam grandes quantidades deste produto sob a bandeira da cirurgia plstica sem corte", completa.

O hidrogel usado para preenchimento e aumento de volume de glteos e coxas, e pode provocar reaes intensas. "Pode evoluir para uma necrose da pele e na pior das hipteses, entrar na circulao e provocar bito da paciente por embolia", explica o cirurgio.

Em muitos casos, tambm pode no acontecer nada de imediato, o que no significa que a paciente saiu ilesa do procedimento. "Pode ser que anos depois este produto comece a migrar e endurecer. No porque no fez mal logo aps a aplicao que no vai causar nada no futuro. Essa substncia uma bomba-relgio", enfatiza Benavides.

Os cirurgies plsticos mais experientes, de acordo com a Sociedade, no concordam nem com o uso permitido em pequenas doses.

Sheyza chegou a ser socorrida em Pedro Juan e depois foi transferida para o Hospital Regional de Ponta Por. (Foto: Reproduo/Facebook)

Aos olhos dos especialistas, o perfil da vtima revela o quo atraente tem sido as propagandas, em especial nas redes sociais. "A maioria das pacientes so mais jovens como essa moa e um tempo atrs uma de 24 anos que foi fazer um lipo, teve uma embolia e morreu".

A orientao, segundo Benevides de buscar um profissional credenciado Sociedade Brasileira de Cirurgia Plstica. "E pesquisem, pesquisem as referncias do profissional para o qual voc vai entregar a vida, porque quando voc se submete a procedimentos cirrgicos, est entregando a vida. Todo procedimento possui risco", alerta.

O mdico tambm fala que os pacientes precisam saber dos riscos e no s receberem o "lado florido" da questo e nem se deixarem seduzir por uma imagem.

Sobre o procedimento acontecer do outro lado da froteira, Csar Benavides descreve como difcil por no ahver nenhuma forma de bloquear a ao destes profissionais. "Os pacientes precisam denunciar essas medidas, um mdico de outro pas no tem como denunciar. preciso denunciar aos rgos regulares do pas vizinho".

A populao pode pesquisar facilmente se o profissional membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plstica pelo prprio site da entidade. Basta digitar o nome do cirurgio (parcial ou completo e sem acento) ou o estado para efetuar a busca.

campograndenews.com

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