Pedro Juan Caballero - 7 de junio de 2026
el mundo

Desaprovação do presidente Lula dificulta formação de alianças para o PT no Estado

Publicado el 23/06/2025

Sigla estuda lançar candidatos próprios para governador e senador, em função da improvável formação de chapa com partidos aliados.


Com a desaprovao ao presidente da Repblica, Luiz Incio Lula da Silva (PT), crescendo a cada pesquisa de avaliao, tanto em nvel nacional quanto estadual, e lidando com desgastes em sequncia por conta de crises da gesto petista, o partido j vislumbra dificuldades para fechar acordos polticos que garantam um palanque competitivo na eleio do prximo ano em Mato Grosso do Sul.

Os entraves se do em duas frentes: a proximidade dos partidos aliados nacionalmente, como PSDB, PSD e MDB, com a direita no Estado e a indefinio sobre os nomes que vo concorrer para governador e senador em Mato Grosso do Sul na tentativa de oferecer musculatura para a possvel candidatura de Lula reeleio.

No caso do PSD, no Estado, o partido comandado pelo senador Nelsinho Trad, apoiador de primeira hora do ex-presidente da Repblica Jair Messias Bolsonaro (PL) desde as eleies de 2018, que no esconde de ningum sua falta de simpatia ao PT.

Alm disso, nacionalmente, o presidente da legenda, Gilberto Kassab, j avisou que a sigla deve lanar candidatura prpria Presidncia da Repblica, seja com o governador do Paran, Ratinho Jr., ou do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, seja subindo no palanque do governador de So Paulo, Tarcsio de Freitas (Republicanos).

J o MDB de Mato Grosso do Sul tem como lideranas o ex-governador Andr Puccinelli e o ex-senador Waldemir Moka, ambos tambm ligados direita, inclusive, Moka integra a equipe do governador Eduardo Riedel (PSDB).

Portanto, a nica exceo do MDB estadual a ministra do Planejamento e Oramento, Simone Tebet, que Lula de carteirinha, porm, uma andorinha s no faz vero, ento, ser voto vencido caso defenda a formao de uma aliana com o PT no Estado.

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, tenta ganhar tempo e evitar a discusso eleitoral em 2026, porm, no esconde de ningum que tem uma dvida de gratido com Tarcsio de Freitas, ou seja, trata-se de mais um aliado de Lula que pode virar a casaca na hora de definir o apoio na disputa pela Presidncia da Repblica.

Caso ainda sobreviva com fora poltica at a prxima eleio, o PSDB, do governador Riedel e do ex-governador Reinaldo Azambuja, j deu toda a demonstrao possvel de que tambm est mais para a direita do que para a esquerda, portanto, o PT, mesmo tendo vrios cargos na gesto estadual, sabe que ter de abandonar o barco mais cedo ou mais tarde.

CANDIDATURAS FRGEIS

Somam-se a esse cenrio negativo as candidaturas frgeis que o PT est cogitando para a provvel disputa aos cargos de governador e de senador em Mato Grosso do Sul, pois, nos bastidores, os nomes so do ex-deputado federal Fbio Trad e do deputado federal Vander Loubet, respectivamente.

Os petistas sul-mato-grossenses sabem que nenhum dos dois ter um bom desempenho nas urnas caso insista em disputar esses dois cargos, tanto que pessoas prximas a Vander Loubet j afirmam que ele no deve trocar a reeleio garantida para a Cmara dos Deputados por uma aventura na eleio para o Senado.

No caso de Fbio Trad, apesar de ser um poltico com bom trnsito junto a vrias lideranas partidrias de Mato Grosso do Sul, no tem capilaridade nem musculatura para concorrer a governador, ainda mais em um estado onde o bolsonarismo fincou bandeira.

Alm disso, petistas do grupo do deputado estadual Zeca do PT e do deputado federal Vander Loubet so favorveis a que o partido no lance candidatos a nenhum desses dois cargos, preferindo apoiar o atual governador Riedel na reeleio e defendendo que a candidatura ao Senado seja a da ministra Simone Tebet, porm, neste caso, a dificuldade ser o MDB continuar no arco de aliana de Lula em 2026.

Com isso, os dirigentes do PT estadual manifestam preocupao, mas devem aguardar a orientao nacional do presidente Lula, j que o que ele definir ser acatado pela militncia petista sul-mato-grossense.

No entanto, eles sabem que a estratgia passa pela necessidade de ter nomes fortes nas duas disputas, fortalecendo a chapa de Lula. Em nvel nacional, o clculo do PT pragmtico: mesmo que haja derrotas locais, necessrio evitar uma diferena de votos significativa a favor do nome que disputar a Presidncia da Repblica contra Lula, o que foi possvel em 2022.

ELEIO ESTADUAL

Para complicar ainda mais a situao do PT em Mato Grosso do Sul, no dia 6 de julho, o partido ter eleies internas, o chamado processo de eleio direta (PED), e, diferentemente do desejo de Vander Loubet de a legenda ter candidatura nica, a sigla ter disputa entre o deputado federal e o professor e bancrio Humberto Amaducci.

O temor de concorrncia no PED o surgimento de um racha dentro do PT, o que tornaria mais difcil ainda o que j complicado, isto , formar uma chapa competitiva em Mato Grosso do Sul para dar palanque para a eventual candidatura de reeleio do presidente Lula em 2026.

O certo que, querendo ou no, no dia 6 de julho os petistas vo s urnas na Escola Vespasiano Martins, localizada na Rua 13 de Maio, n 1.516, no centro de Campo Grande, para definir quem ser o novo presidente estadual do partido.

Apesar de os petistas se orgulharem de fazer parte do nico partido que escolhe seus dirigentes pelo voto direto, uma disputa neste momento, s vsperas de uma eleio geral para a Presidncia da Repblica, pode jogar uma p de cal nas pretenses da legenda de formar uma chapa forte para ajudar na campanha de reeleio do presidente Lula em Mato Grosso do Sul.

Fatores que aumentam a reprovao a Lula

Duas pesquisas divulgadas neste ms mostraram queda na avaliao positiva nos nmeros de aprovao do governo do presidente Luiz Incio Lula da Silva (PT). Nos dois casos, as oscilaes se deram na margem de erro do levantamento.

No levantamento do Datafolha, a subida de dois pontos porcentuais no ndice dos que avaliam o governo como ruim ou pssimo, e a queda de um ponto porcentual entre os que acham que timo ou bom, no intervalo de dois meses, interrompem a recuperao registrada no levantamento anterior.

Agora, so 40% os que avaliam positivamente o governo, 28% os que fazem uma avaliao negativa e 31% os que acham regular. Na pesquisa Ipsos/Ipec, o crescimento de 41% para 43% no ndice dos que acham a gesto ruim ou pssima e a queda de 27% para 25% dos que acham que o governo timo ou bom, em um intervalo de trs meses, ampliam um cenrio de perda crescente de popularidade do presidente.

Fonte: Correio do Estado

Buscador
Lo Ultimo