Pedro Juan Caballero - 2 de agosto de 2026
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Burocracia deixa médicos formados no Paraguai

Publicado el 12/05/2020

Sem validação de diploma, profissionais formados no exterior para buscar diploma, não podem atuar no seu próprio País


Mdicos formados no exterior poderiam incrementar mo de obra durante a pandemia (Foto: Marcos Maluf)

Nem mesmo o carter excepcional da pandemia afrouxou a burocracia para colocar mdicos formados no exterior para atuar na linha de frente no combate ao novo coronavrus. Cruzar a fronteira do Brasil com o Paraguai comum entre jovens sul-mato-grossenses que sonham em cursar Medicina, porm, a frustrao toma conta diante de impossibilidade de atuar em cenrio de superlotao de hospitais e contraes de emergncia.

O IMeFE (Instituto dos Mdicos Formandos no Exterior) estima que no Pas tenha mais de 15 mil profissionais formados, sem poder atuar em territrio nacional, durante a situao de calamidade pblica imposta pela covid-19. Os trs anos sem a realizao do Revalida (Exame Nacional de Revalidao de Diplomas Mdicos), pelo Ministrio da Educao, deixam os mdicos estacionados, enquanto j foram enterrados mais de 12 mil mortos.

Unidades de sade e hospitais de Mato Grosso do Sul poderiam ser contemplados com boa parte destes profissionais, especialmente no interior, onde a mo de obra limitada. Bons preos e proximidade levam muitos jovens a estudar no pas vizinho e, que poderiam muita bem se estabelecer profissionalmente no Estado.

Para se ter ideia, at o ano passado, o governo do departamento de Amambay, no Paraguai, contabilizava 15 mil estudantes brasileiros matriculados em oito faculdades de Medicina de Pedro Juan Caballero, vizinha Ponta Por.

O sonho que virou frustrao Cruzar a fronteira seca entre Ponta Por e Pedro Juan Caballero foi rotina para Silva Cardoso, de 33 anos, durante quase cinco anos, enquanto estudava na Universidad Mara Auxiliadora, em Assuno.

J formado em Enfermagem, ele foi atrs do sonho de pegar o diploma de mdico. Formou-se em 2018, mas teve de recorrer a antiga profisso para se sustentar, no retorno para cidade de Dourados, municpio distante 235 quilmetros de Campo Grande. Atualmente, ele trabalha com cuidados de paciente em domiclio.

Silvano conta que chegou a participar de seleo para atuar no Mais Mdicos, mas no atendeu requisitos referente a faixa etria. Desde ento, ele espera por uma nova edio do Revalida e pela oportunidade de ser til em situaes extremas, como a de pandemia. Na verdade, se torna um pouco frustrante isto. Voc tem o documento na mo, est apto para trabalhar e no pode, desabafou.

Marlia formou-se em Medicina em universidade de Pedro Juan Caballero (Foto: Arquivo pessoal)

Marlia partipando de aula com as colegas de sala enquanto estava na faculdade (Foto: Arquivo Pessoal)

Situao semelhante vive a campo-grandense, Marlia Campos Camargo, 31 anos. At o ano passado, ela esperava poder atuar na rea em Mato Grosso do Sul. A necessidade fez ela mudar de cidade no final do ano passado. No entanto, em Curitiba, onde vive atualmente, tambm no teve condies de trabalhar como mdica, j que depende dos resultados do Revalida.

Estamos dispostos a trabalhar. Mesmo que seja temporrio. No queremos facilidade, s queremos que a lei seja cumprida para podermos ajudar nesse momento, afirmou se referindo ao fato do MEC ter obrigao de realizar duas edies do exame por ano.


Voltada para ateno bsica Dayane Esser, presidente do IMeFE, culpa tambm o corporativismos presente entre as entidades de representao dos mdicos pela situao. A medicina no Brasil tem um carter elitista, do tempo do Imprio, afirmou.

Segundo ela, espao para trabalhar no falta. Alm disto, o Brasil carente de mdicos para atuar na ateno bsica do SUS (Sistema nico de Sade). Os cursos de medicina de universidades de outros pases da Amrica Latina tem justamente a grade curricular voltada para este setor.

No Brasil, a cada 10 mdicos, seis possuem um ttulo de especialista. Temos 381 mil ttulos de especialidades, mas apenas 288 mil especialistas. Ou seja, temos 100 mil mdicos com dois ttulos, explicou. A maioria destes profissionais atua na rede privada, a prova so as longas filas para atendimento com ortopedistas, oculistas e psiquiatras, na rede pcas.


Atualmente, Dayane (atrs) atua como mdica no Esprito Santo, onde passou por processo seletivo sem a necessidade do Revalida (Foto: Arquivo Pessoal)

De Dourados, e formada em Medicina em Assuno, Dayane sentiu na pele as dificuldades para atuar como mdica. Sem conseguir realizar do Revalida, ela precisou ir para o Espirito Santo, onde vive h dois anos e meio, para atuar no Programa Mais Mdico, em processo que exigiu outro tipo de avaliao.

O Estado, alis, possui uma taxa de 12 mdicos para 1 habitantes, quando o recomendado de 1 para cada 1 mil. Ainda assim tive que ser deslocada para a grande Vitria, porque no tinha mdicos suficientes para atender a comunidade durante a pandemia, afirmo.

A Cmara dos Deputados analisa uma srie de propostas que permitem que mdicos formados no exterior e que ainda no revalidaram seus diplomas no Pas atuem durante a pandemia de covid-19. Outras propostas preveem a realizao em carter emergencial do Revalida.

Algumas das proposta so baseada em carta encaminhada por governadores do Nordeste ao governo federal solicitando a contratao dos profissionais estrangeiros como forma de incrementar o nmero de mdicos durante a pandemia.

Enquanto os projetos tramitam, o sistema de sade entra em colapso em vrios estados. A gente se sente meio que incapaz, de mos atadas, porque somos mos de obra. H um certo preconceito, mas a nossa no de obra to boa quanto, analisa a mdica Marlia Campos.

campograndenews.com

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